Novembro Azul

2019-11-14T13:51:41+00:00 novembro 14th, 2019|Sem categoria|

A campanha do novembro azul teve início no ano de 2003 na Austrália com objetivo de conscientização das doenças masculinas, principalmente o câncer de próstata. O início do movimento foi batizado pelos seus criadores de “movember”, que remete à junção das palavras November (novembro em inglês) e moustache (bigode em inglês).

Esta campanha chegou no Brasil em 2008 pela Sociedade Brasileira de Urologia e ganhou força ao incentivar os homens à procurarem profissionais da área para avaliação urológica com objetivo de precocidade nos diagnósticos de doenças, obtendo assim melhor evolução com os devidos cuidados. A campanha também é utilizada na medicina veterinária: durante este mês chamamos à atenção quanto à saúde e prevenção de cães e gatos machos, não pensando apenas nas alterações prostáticas, mas também alterações testiculares e outras doenças urológicas.

Nosso médico veterinário especializado em nefrologia e urologia de pequenos animais, professor de pós graduação de clínica geral e de nefrologia e urologia veterinária Hugo Cardoso respondeu algumas dúvidas mais levantadas pelos tutores, venha conferir esse bate-papo interativo e dinâmico. #DrHugoResponde #meuveterinárioresponde

P: Quais são as doenças alvos dessa campanha do Novembro Azul e o que são doenças de próstata?

R: As doenças alvo dessa campanha são basicamente as de próstata, porém utilizamos essa campanha para alertar sobre doenças dos machos principalmente relacionadas ao trato geniturinário (pênis, testículo, bexiga, próstata). As doenças da próstata são prostatopatias que acometem o órgão podendo ser: aumentos benignos, infecciosas até mesmo câncer.

P: Meu cachorro apresenta desconforto para urinar, pode ser alguma alteração na próstata?

R: Pode sim. As alterações prostáticas podem levar à mudanças na micção porque a uretra do macho passa por dentro da próstata e consequentemente doenças nessa região pode levar à alteração da urina e até um aumento desse órgão que pode comprometer o fluxo da urina, apresentando assim alterações urinária do seu pet.

 

P: Notei que o testículo do meu animalzinho é maior do que os outros machos que vejo, devo me preocupar?

R: Sim. Os testículos podem ter uma pequena diferença de tamanho porém preocupa-se quando o aumento de um lado é considerável em relação ao outro lado. Nem sempre há sinal dor no testículo aumentado, porém isso não diminui a seriedade do sinal. Existem problemas testiculares benignos ou malignos e qualquer aumento de volume uni ou bilateral serve de alerta. Outro ponto a se avaliar é se o cão possui os dois testículos na bolsa escrotal, pois há alguns casos que um ou ambos testículos não descem para a bolsa, levando ao chamado criptorquidismo. Testículo fora do lugar certo é problema e deve ser avaliado. Na maioria dos casos tem que ser feita a remoção cirurgia (castração).

P: Tenho um macho de 1 ano de idade, ouvi dizer que essas doenças são apenas de animais mais velhos, é verdade? O que devo fazer?

R: As prostatopatias são realmente mais comuns em animais adultos à idosos, porém não descarta a possibilidade de ocorrer em animais jovens. É menos frequente, porém é relatado e é possível sim. Por isso há necessidade de exames que avaliam o órgão em caso de alterações sugestivas, independentemente da idade. Um exame muito utilizado para avaliação prostática é o ultrassom, que traz informações importantes como: tamanho, forma, presença de cistos ou cálculos, entre outros. Porém, o toque prostático se faz tão importante quanto o ultrassom abdominal, com intuito de obter informações quanto à: consistência, dor, irregularidades, assimetria, etc.

P: Há uns anos levei meu animal para consulta aonde foi visto que a próstata estava aumentada. Ele passou pela castração e tudo se normalizou. Desde então não me preocupei em acompanhar mais. Mesmo ele castrado e com o tamanho reduzido, ele ainda tem risco de ter alguma coisa na próstata?

R: Sim. Este ainda é um dos grandes mitos sobre esse assunto. Os aumentos prostáticos podem acontecer por estímulo hormonal (testosterona) levando à um aumento chamado: hiperplasia benigna prostática, nesses casos com a redução do hormônio pós castração, há uma diminuição do órgão prostático. Porém é um erro acreditar que a próstata não pode alterar após a castração, pelo contrário, a diminuição hormonal pode predispor à algumas alterações na maioria das vezes malignas devido à incapacidade do tecido prostático de controlar o ciclo celular do órgão que tem a testosterona como um de seus reguladores. Desta maneira, castrar não isenta o animal de cursar com doenças, e mediante um histórico de aumento anterior, é indicado fazer checkups anuais para acompanhar a saúde do seu pet.

 

P: Uma cistite não curada pode infeccionar a próstata do meu pet? Ele tem cistite recorrente, já tentamos vários tratamentos mas sempre volta e no ultimo exame a próstata estava aumentada.

R: Pode sim. Na realidade, por ser um órgão próximo a bexiga, e, que existe a uretra prostática em que a urina passa por esse trajeto, a comunicação via uretra e urina, faz com que infecções de bexiga passem para a próstata e o oposto também ocorra: infecção da próstata passem para a bexiga. Infecções prostáticas podem levar sim à um edema, com isso, casos de cistite recorrente pode ter como foco infeccioso a próstata, em que não é qualquer antibiótico consegue tratar, já que existe uma barreira nesses órgãos que pode impedir que certas classes de antibióticos adentrem por ela.

P: Pela sua experiência e rotina em clínica, quais cuidados e atenção sugere? A raça influencia nessas doenças? Quais fatores de risco que devemos ficar alerta?

R:  Nenhuma raça está isenta de ter problemas geniturinários, mas geralmente cães de grande porte tendem a ter mais prostatopatias. Essas alterações são mais raras nos gatos. Fatores como infecções do trato urinário, idade, produção hormonal, etc, podem predispor à ter doenças desse órgão. A grande questão é lembrar de avaliar a próstata que na maioria das vezes é esquecida mediante qualquer sinal clínico de alteração do trato urinário e exercer o exame físico nas consultas de rotina, porque muitas vezes são notadas alterações quando o médico veterinário adota esse hábito em seus atendimentos, avaliar  todo trato geniturinário no geral, instituindo sempre diagnósticos diferenciais. Aos tutores: levar seus pets periodicamente para checkups e atentar-se à alterações em micção e coloração da urina, no aspecto das fezes e nos testículos (caso não seja castrado). Lembrar que prevenir é sempre a melhor opção.

Hugo Cardoso Martins Pires- Médico veterinário atuante em nefrologia e urologia do CMVJA.